terça-feira, 11 de março de 2014

O CORPO TECIDO E EDUCADO AO LONGO DO TEMPO

A Concepção de corpo varia no decorrer da história e ganha sentido socialmente. A distinção de gênero é feita sempre no contexto de uma determinada cultura e, portanto com as marcas dessa cultura.
O corpo foi e continua sendo construído historicamente. Através dos seus trabalhos rupestres, o homem primitivo representava o corpo associado ao medo, a impotência perante os fenômenos da natureza. As posturas, as posições e expressões dão informações de como eles concebiam o corpo. Na Idade Média, São Tomás de Aquino uniu corpo e alma, o corpo se transformou em santuário de Deus. Na Idade Moderna começou a haver uma maior preocupação com a liberdade do ser humano e a concepção de corpo foi consequência disso: o corpo sob um olhar científico, objeto de estudos e experiências, o corpo investigado, o corpo anatômico e biomecânico. Na Contemporaneidade, a preocupação se desloca para a sexualidade.
O corpo foi e continua sendo tecido e educado ao longo do tempo, mesmo assim o homem sempre demonstrou dificuldade em perceber de forma clara e sem preconceito o seu próprio corpo.
A diferença de gênero tem provocado ao longo do tempo vários conflitos  em relação ao papel da mulher na sociedade. A identidade feminista foi sendo construída, protestada e assumida, resultando em verdadeiras batalhas contra o preconceito e a opressão, ações coletivas ou isoladas contra as mulheres. Assim, nesse contexto social e histórico de lutas, buscas e descobertas, independente do gênero, os sujeitos vão se construindo e se percebendo mais que um corpo masculino ou feminino.


 Zezinha Lins








A CIDADE NO SEU COTIDIANO

A cidade se apresenta no seu cotidiano de acordo com as práticas e costumes dos seus habitantes. Sendo assim, o olhar sobre ela deve ir além da sua arquitetura.
Caminhar pela cidade de Glória do Goitá ultrapassa o fato de sermos meros moradores, pois, interagimos com o espaço geográfico vivenciando nossa cultura.
Assim como todas as cidades, Glória tem suas especificidades. Podemos observar isso através das suas artes de fazer. A forte presença cultural do mamulengo em nosso município retrata essas artes através da caricatura bem humorada dos fatos que permeiam nosso cotidiano.

A Cidade no seu cotidiano
Em nossa pequena cidade
Não há enigma nos pedestres
Todos se conhecem.
Nas ruas os olhares se cruzam
Para o bem ou para o mal.
As torres para as quais erguemos os olhos
São: a torre da igreja matriz
E os altos coqueiros que nos rodeiam.
Multidões a caminhar pelas ruas,
Só em dia de procissão.
É a festa da padroeira...
A roupa nova, a praça, o parque de diversão
A cidade tem sabor, tem cheiro, tem cor
As práticas urbanas se integram com as do campo
Aqui e ali...
As frutas do compadre,
O bordado da vizinha,
O verde do Sítio Palmeiras
Temperando o meu feijão.
A cidade no seu cotidiano
Às vezes sonha com o progresso,
Mas com o sonho vem a realidade
Do anonimato, do concreto,
Do fogo que queima no chão
Da bala perdida, da morte...
A cidade desperta do sonho
Ao som da alvorada em dia de festa
É a banda tocando ao amanhecer
Sempre as mesmas canções
Trilha sonora
De triste ou alegre viver.


 Zezinha Lins

A cartografia na construção da Identidade

Ao ser elaborado o currículo escolar, deve-se levar em consideração que a escola exerce um papel fundamental para a formação inicial da identidade dos alunos e seus deslocamentos, uma vez que adquirindo novos conhecimentos, trocando experiências somos confrontados por uma multiplicidade de identidades das quais faremos uso de acordo com as necessidades. Por este motivo, o currículo escolar deve abranger tudo o que ocorre na escola: as atividades programadas e desenvolvidas que envolvam a aprendizagem dos conteúdos escolares pelos alunos, na escola ou fora dela.
Neste contexto a cartografia é uma forte aliada na compreensão e entendimento do mundo. Apesar da importância da cartografia no currículo escolar, percebe-se ainda uma fragilidade na utilização deste recurso na prática docente, especialmente na Educação Básica. Sabendo que a identidade do indivíduo vai sendo formada ao longo do tempo e de acordo com os fatores externos, conhecer os espaços, localizar-se em termos globais, leva o aluno a um mundo que é seu, a um mundo ao qual pertence.

Zezinha Lins








sábado, 1 de fevereiro de 2014

PARÓDIA SOBRE O CONSUMISMO EXAGERADO

PARÓDIA - MÚSICA: PREPARA (ANITTA)

Prepara
Que agora é hora
De parar pra pensar
Na complexidade
Da nossa sociedade
Que vai e vem
Não tem um rumo certo
E fica no ar
Se procurando...

Prepara
Por trás dessa loucura
Tem a mídia eu sei
Eu curto, eu compro
Eu quero ser feliz também
E assim vou me afundando
E no final do mês
Procuro o meu dinheiro
E não encontro

Vou com o VISA e o MASTERCARD
Passando
Bolsa, bota, roupas
Vou comprando
Mas depois eu vou ficar chorando
Chamo a atenção à toa
Nessa minha vida louca
Vida louca a a a

Prepara

 (Repete)


Esta paródia foi feita por mim e utilizada entre outras coisas na apresentação de um trabalho sobre A Educação Patrimonial da Sociedade Apressada, Consumista e Líquida Contemporânea na disciplina Identidade e Pluralidade Cultural.


domingo, 26 de janeiro de 2014

Culturas Nacionais como Comunidades Imaginárias


Parece muito difícil
De entender este assunto
Ao ler o conteúdo
Parece que tá tudo escuro
Mas usando uma lanterna
Vimos luz no fim do túnel.

E as ideias antes confusas
Aos poucos se clareou
Lendo o texto de Stuart Hall
Nosso grupo conversou
E com versos bastantes simples
Um poema elaborou.

A identidade nacional
É a fonte principal
Da identidade cultural
Das pessoas em geral
Essa ideia iluminamos
Com uma lanterna genial

Mutos outros elementos
São agregados a esta fonte
Como a língua, por exemplo
Ela é social, é uma ponte
Formando em nossa nação
A identidade cultural, tão importante

A cultura nacional
É a junção das diferenças
Numa única identidade
É a base da nossa vivência
A identidade cultural não nasce com a gente
É formada de acordo com a nossa convivência.


Zezinha Lins


Apresentação do trabalho sobre o assunto usando como suporte, um poema popular.
Objeto a ser inserido na apresentação: uma lanterna)
Inadequações proposital, uso da licença poética

sábado, 14 de dezembro de 2013

ANSIEDADE

Para mim o pior da ansiedade é desprezar o momento presente como um inconveniente que está no caminho do tão esperado momento futuro.

Na impaciência pelo que ainda não houve , na angústia gerada pela incerteza, nasce um presente desconfortável, aflito, insatisfeito, insaciado.

Como o desfecho é apenas uma ilusão, pois na verdade o fim da ânsia não está em algum lugar do futuro , mas na aceitação leve e grata do presente , esse fica para trás, negligenciado, tesouro aos seus pés, tornado invisível pelo que olha tão à frente , passando despercebido dia sim, outro também.

Reconhecer a presença da ansiedade e convidá-la a se retirar é um exercício diário para todos nós.

Paulo Gusmão

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

RESENHA - KANT


RESENHA

Introdução Sobre a Pedagogia

( Immanuel Kant )

O presente trabalho traz como tema para reflexões,  A Introdução do livro Sobre a Pedagogia de Immanuel Kant, tradução de Francisco Cock Fontanella. 3ª Ed. Piracicaba: Editora UNIMEP, 2002.

O autor inicia o texto apresentando algumas diferenças importantes entre o homem e o animal selvagem, entre elas: a capacidade que os animais têm de usar a sua força e o seu instinto de forma regular para a sua sobrevivência, enquanto que o homem precisa, além de cuidados, de disciplina para não usar suas forças naturais de forma nociva. Segundo Kant, é a disciplina que transforma a animalidade em humanidade. Conquistando a razão o homem sai do seu estado bruto para o estado de civilização. Submetendo-se à Lei o homem não se desvia do seu destino: ser humano.

Afirma o autor, que é para este fim que as crianças são levadas cedo à escola, para adequar-se às regras, pois depois de adultos não seria possível desviá-los da sua forte tendência à liberdade.

O autor apresenta a educação como a grande modeladora e transformadora do homem. E se mostra bastante convicto quando diz “Talvez a educação se torne sempre melhor e cada uma das gerações futuras dê um passo a mais em direção ao aperfeiçoamento da humanidade, uma vez que o grande segredo da perfeição da natureza humana se esconde no próprio problema da educação.”

Ele defende como verdade absoluta, uma educação que desenvolva no homem todas as suas disposições naturais. O autor afirma ainda que o homem não consegue cumprir por si só sua destinação, assim como fazem os animais, que cumprem seu destino sem o saber.

Kant conceitua a educação como arte, cuja prática necessita ser aperfeiçoada por várias gerações, porém admite que os indivíduos ao educarem seus filhos, não poderão jamais fazer que estes cheguem a atingir a sua destinação. Pois essa finalidade só poderá ser atingida pela espécie humana, jamais pelo homem singular, mas afirma também que é dever do homem tornar-se bom, produzir em si mesmo a moralidade.

De acordo com o autor, a educação é o maior e o mais árduo problema que pode ser proposto aos homens. Por isso ela tem que seguir um passo a frente do outro, já que uma geração transmite suas experiências e conhecimentos à geração seguinte e assim sempre algo será acrescentado. Porém o autor questiona se a educação do indivíduo deve imitar a cultura que a antecede. E afirma ainda que a arte de governar os homens e a arte de educá-los estão entre as dificílimas descobertas humanas. Mas admite que há controvérsias sobre esses assuntos

Kant enfatiza através de repetições em diversos trechos do texto que toda a educação é uma arte, confirma essa ideia dizendo que as disposições naturais do ser humano não se desenvolvem por si mesmas, uma vez que a origem e o progresso da arte da educação é mecânica ou raciocinada, o raciocínio prevalece na natureza humana. Ele nomeia a arte da educação como Pedagogia, e que a mesma, sendo raciocinada, desenvolve a natureza humana de tal modo que ele possa conseguir o seu destino.

De acordo com o autor, como princípio da pedagogia não se deve educar as crianças tendo o presente como parâmetro, mas sim visando o futuro, pensando sempre no bem coletivo, pois o futuro nos remete a evolução.

Entre tantas idéias interessantes, chama a atenção as seguintes afirmativas de Kant: “Uma boa educação é justamente a fonte de todo bem neste mundo. (...) Na verdade, não há nenhum princípio do mal nas condições naturais do ser humano. (...). No homem não há germes, se não para o bem.”

Kant considera que tudo o que diz respeito à cultura do espírito humano e ao incremento dos conhecimentos humanos são facilitados pelo poder e pelo dinheiro. Mas se prestam auxílio à educação com dinheiro, o que é necessário, reservam-se o direito de estabelecer o plano que lhes convém. Sendo assim, alguns poderosos desejam que o povo tenha no máximo aumentado habilidades para assim usá-los como instrumentos em prol dos seus interesses. As pessoas devem estar atentas, a humanidade além de mais hábil, deve ter mais moral e empenhar-se para encaminhar esses dons para a posteridade num grau mais elevado.

Segundo o autor, na educação, além de ser disciplinado, tornar-se culto, ser prudente, cuidar da moralização é o mais importante, pois deveríamos  ensinar às crianças a odiar o vício, não por motivos religiosos, mas por si mesmo, pelo seu próprio bem.

Kant defende a escola experimental, pois sem experiência não dá pra julgar com razão se uma coisa será boa ou má. A experiência possibilita se fazer novas tentativas.

O autor afirma que a educação pode ser pública ou privada e que uma educação pública completa é a que reúne ao mesmo tempo, a instrução e a formação moral. Seu fim consiste em promover uma boa educação privada. Acrescenta que a educação pública parece mais vantajosa que a doméstica na formação do verdadeiro caráter do cidadão. Pois a educação doméstica carrega consigo os defeitos do âmbito familiar e ainda os propaga.

Quanto ao tempo que o homem precisa para ser educado, Kant afirma que até que ele possa se tornar pai e assim, seja obrigado a educar. Após os 16 anos, o homem poderá ser submetido a uma disciplina especializada, portanto não mais funcionará uma educação normal.

O autor diz no texto que um dos maiores problemas da educação é o poder de conciliar a submissão ao constrangimento das leis com o exercício da liberdade. Porém esse constrangimento é uma condição para a conquista da liberdade. O homem precisa sentir a resistência da sociedade para que entenda que é difícil bastar-se a si mesmo, tolerar as privações e adquirir o que é necessário para tornar-se independente.

Entre algumas regras apresentadas por Kant para bem educar as crianças, está a de que é preciso provar para elas que o constrangimento que lhe é imposto tem como objetivo ensiná-las a usar bem sua liberdade, que a educamos para ser livre um dia.

 Zezinha Lins

 

Sarau da Paquevira

Domingo, 21 de maio, vivenciei uma tarde maravilhosa num lugar lindo com gente linda. Fui convidada por amigos  para participar de um Sarau...