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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

RESENHA - KANT


RESENHA

Introdução Sobre a Pedagogia

( Immanuel Kant )

O presente trabalho traz como tema para reflexões,  A Introdução do livro Sobre a Pedagogia de Immanuel Kant, tradução de Francisco Cock Fontanella. 3ª Ed. Piracicaba: Editora UNIMEP, 2002.

O autor inicia o texto apresentando algumas diferenças importantes entre o homem e o animal selvagem, entre elas: a capacidade que os animais têm de usar a sua força e o seu instinto de forma regular para a sua sobrevivência, enquanto que o homem precisa, além de cuidados, de disciplina para não usar suas forças naturais de forma nociva. Segundo Kant, é a disciplina que transforma a animalidade em humanidade. Conquistando a razão o homem sai do seu estado bruto para o estado de civilização. Submetendo-se à Lei o homem não se desvia do seu destino: ser humano.

Afirma o autor, que é para este fim que as crianças são levadas cedo à escola, para adequar-se às regras, pois depois de adultos não seria possível desviá-los da sua forte tendência à liberdade.

O autor apresenta a educação como a grande modeladora e transformadora do homem. E se mostra bastante convicto quando diz “Talvez a educação se torne sempre melhor e cada uma das gerações futuras dê um passo a mais em direção ao aperfeiçoamento da humanidade, uma vez que o grande segredo da perfeição da natureza humana se esconde no próprio problema da educação.”

Ele defende como verdade absoluta, uma educação que desenvolva no homem todas as suas disposições naturais. O autor afirma ainda que o homem não consegue cumprir por si só sua destinação, assim como fazem os animais, que cumprem seu destino sem o saber.

Kant conceitua a educação como arte, cuja prática necessita ser aperfeiçoada por várias gerações, porém admite que os indivíduos ao educarem seus filhos, não poderão jamais fazer que estes cheguem a atingir a sua destinação. Pois essa finalidade só poderá ser atingida pela espécie humana, jamais pelo homem singular, mas afirma também que é dever do homem tornar-se bom, produzir em si mesmo a moralidade.

De acordo com o autor, a educação é o maior e o mais árduo problema que pode ser proposto aos homens. Por isso ela tem que seguir um passo a frente do outro, já que uma geração transmite suas experiências e conhecimentos à geração seguinte e assim sempre algo será acrescentado. Porém o autor questiona se a educação do indivíduo deve imitar a cultura que a antecede. E afirma ainda que a arte de governar os homens e a arte de educá-los estão entre as dificílimas descobertas humanas. Mas admite que há controvérsias sobre esses assuntos

Kant enfatiza através de repetições em diversos trechos do texto que toda a educação é uma arte, confirma essa ideia dizendo que as disposições naturais do ser humano não se desenvolvem por si mesmas, uma vez que a origem e o progresso da arte da educação é mecânica ou raciocinada, o raciocínio prevalece na natureza humana. Ele nomeia a arte da educação como Pedagogia, e que a mesma, sendo raciocinada, desenvolve a natureza humana de tal modo que ele possa conseguir o seu destino.

De acordo com o autor, como princípio da pedagogia não se deve educar as crianças tendo o presente como parâmetro, mas sim visando o futuro, pensando sempre no bem coletivo, pois o futuro nos remete a evolução.

Entre tantas idéias interessantes, chama a atenção as seguintes afirmativas de Kant: “Uma boa educação é justamente a fonte de todo bem neste mundo. (...) Na verdade, não há nenhum princípio do mal nas condições naturais do ser humano. (...). No homem não há germes, se não para o bem.”

Kant considera que tudo o que diz respeito à cultura do espírito humano e ao incremento dos conhecimentos humanos são facilitados pelo poder e pelo dinheiro. Mas se prestam auxílio à educação com dinheiro, o que é necessário, reservam-se o direito de estabelecer o plano que lhes convém. Sendo assim, alguns poderosos desejam que o povo tenha no máximo aumentado habilidades para assim usá-los como instrumentos em prol dos seus interesses. As pessoas devem estar atentas, a humanidade além de mais hábil, deve ter mais moral e empenhar-se para encaminhar esses dons para a posteridade num grau mais elevado.

Segundo o autor, na educação, além de ser disciplinado, tornar-se culto, ser prudente, cuidar da moralização é o mais importante, pois deveríamos  ensinar às crianças a odiar o vício, não por motivos religiosos, mas por si mesmo, pelo seu próprio bem.

Kant defende a escola experimental, pois sem experiência não dá pra julgar com razão se uma coisa será boa ou má. A experiência possibilita se fazer novas tentativas.

O autor afirma que a educação pode ser pública ou privada e que uma educação pública completa é a que reúne ao mesmo tempo, a instrução e a formação moral. Seu fim consiste em promover uma boa educação privada. Acrescenta que a educação pública parece mais vantajosa que a doméstica na formação do verdadeiro caráter do cidadão. Pois a educação doméstica carrega consigo os defeitos do âmbito familiar e ainda os propaga.

Quanto ao tempo que o homem precisa para ser educado, Kant afirma que até que ele possa se tornar pai e assim, seja obrigado a educar. Após os 16 anos, o homem poderá ser submetido a uma disciplina especializada, portanto não mais funcionará uma educação normal.

O autor diz no texto que um dos maiores problemas da educação é o poder de conciliar a submissão ao constrangimento das leis com o exercício da liberdade. Porém esse constrangimento é uma condição para a conquista da liberdade. O homem precisa sentir a resistência da sociedade para que entenda que é difícil bastar-se a si mesmo, tolerar as privações e adquirir o que é necessário para tornar-se independente.

Entre algumas regras apresentadas por Kant para bem educar as crianças, está a de que é preciso provar para elas que o constrangimento que lhe é imposto tem como objetivo ensiná-las a usar bem sua liberdade, que a educamos para ser livre um dia.

 Zezinha Lins

 

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